Educação Transdisciplinar
Horizontes da Educação Transdisciplinar |
“Parece-me que um tipo de moralidade e conduta, totalmente diferente, e uma ação que se origine da compreensão de todo o processo da vida, se tornaram uma necessidade urgente em nosso mundo de crises e problemas cada vez maiores.
Tentamos enfrentar essas questões por meio de métodos políticos e organizacionais, através de reajustes econômicos e de várias reformas; mas nenhuma dessas coisas jamais resolverá as complexas dificuldades da existência humana, embora possam proporcionar alívio temporário.
Todas as reformas, por mais extensas e aparentemente duradouras que sejam, apenas produzem, em si mesmas, mais confusão e mais necessidades de reformas. Sem compreender toda a complexa natureza humana, simples reformas suscitarão apenas a exigência confusa de mais reformas. Não há limite para se reformar; e não há solução fundamental nessa direção.
As revoluções políticas, econômicas e sociais também não dão a solução desejada, pois têm produzido terríveis tiranias ou a mera transferência do poder e da autoridade para as mãos de grupos diferentes. Tais revoluções não representam, de modo algum, a saída para a nossa confusão e para o nosso conflito.
Mas há uma revolução totalmente diferente e que precisa ser levada a cabo para podermos emergir da série infindável de ansiedades, conflitos e frustrações em que estamos enredados. Essa revolução precisa começar, não com teoria e ideação, que acabam por revelar-se inúteis, mas sim com uma transformação radical na própria mente. Essa transformação só pode ser realizada por meio da educação correta e do desenvolvimento total do ser humano.
Trata-se de uma revolução que precisa ocorrer na totalidade da mente e não apenas no pensamento. O pensamento, afinal de contas, é apenas o resultado e não a fonte. É preciso que haja uma transformação radical na fonte, e não uma simples modificação do resultado. Atualmente, estamos trabalhando com resultados, com sintomas. Não estamos produzindo nenhuma mudança vital, não estamos eliminando pela raiz os antigos modos de pensamento, nem libertando a mente de hábitos tradicionais. É a esta transformação vital que nos referimos, e só uma educação correta pode produzi-la.” Jiddu Krishnamurti
“Que benefícios traz a educação, se no decorrer da vida nos destruímos? A série de guerras devastadoras, que temos tido, uma após a outra, evidencia uma falha na educação que proporcionamos aos nossos filhos. (...) Nossa educação em geral é a maneira mais destrutiva de se tratar com o ser humano. Os professores não nos tratam como seres humanos para compreender a vida, perceber a infinita beleza e as riquezas da existência, saber o que é a morte e conhecer essa coisa viva que é a vida. (...) Se a vida tem um significado mais alto e mais amplo, que valor tem a nossa educação se nunca descobrimos este significado. (...) O homem ignorante não é o sem instrução, mas aquele que não conhece a si mesmo; e insensato é o homem intelectualmente culto ao crer que os livros, o saber e a autoridade lhe podem dar a compreensão. A compreensão só pode vir com o autoconhecimento, que é o conhecimento da totalidade do nosso processo psicológico. (...) É essencial que a educação acima de tudo ajude o indivíduo a compreender o seu próprio processo psicológico. (...) O autoconhecimento implica não somente a ação nas relações entre um indivíduo e outro, mas também a ação nas relações com a sociedade; e não pode existir uma sociedade completa e harmoniosa sem esse autoconhecimento. (...) O fato é que nós somos o mundo; não como idéia, mas na realidade.(...) Portanto, nós somos responsáveis pela sua mudança. (...) Apresentar uma solução para o problema mundial sem se conhecer a si mesmo significa, apenas, adiar o inevitável, porquanto o problema do mundo é o problema individual de cada um de nós.(...) Se compreendermos plenamente que cada um, psicologicamente, é o mundo, então a responsabilidade torna-se amor a que nada resiste. (...)A função primária da educação não é a de libertar a mente de suas próprias experiências, que são condicionadas, para que possa haver uma vida criadora e se conheça aquela realidade inexprimível, Criadora, que chamamos Deus ou a Verdade?”Jiddu Krishnamurti
Uma visão da educação Transdisciplinar para o Desenvolvimento do Ser Humano
(em 3 Movimentos)
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1º MOVIMENTO
“A educação contribui para o desenvolvimento humano. (...) Mas a Comissão pretende, sobretudo, sublinhar que esta perspectiva de desenvolvimento humano ultrapassa qualquer concepção de Educação estritamente utilitária. A educação não se destina ao ser humano enquanto agente econômico, mas enquanto fim último do desenvolvimento. Desenvolver os talentos e as aptidões de cada um corresponde, ao mesmo tempo, à missão fundamentalmente humanista da educação, à exigência de eqüidade que deve orientar qualquer política educativa e às verdadeiras necessidades de um desenvolvimento endógeno, respeitador do meio ambiente humano e natural, e da diversidade de tradições e de cultura. E mais especialmente, se é verdade que a formação permanente é uma idéia essencial dos nossos dias, é preciso inscrevê-la, para além de uma simples adaptação ao emprego, na concepção mais ampla de uma educação ao longo de toda a vida, concebida como condição de desenvolvimento harmonioso e contínuo da pessoa. (...)
A educação contribui para o desenvolvimento humano. Contudo, este desenvolvimento responsável não pode mobilizar todas as energias sem um pressuposto: fornecer a todos, o mais cedo possível, o passaporte para a vida, que os leve a compreender-se melhor a si mesmos e aos outros.
A educação básica para todos é, pois, absolutamente vital. Na medida em que o desenvolvimento humano visa a realização do ser humano enquanto tal, e não enquanto meio de produção, é claro que esta educação básica deve englobar todos os conhecimentos requeridos para se poder ter acesso, eventualmente, a outros níveis de informação.
Foi de acordo com esta concepção ampliada de desenvolvimento que a Comissão orientou a sua reflexão sobre a Educação para o século XXI. A educação deve ser encarada no quadro de uma problemática em que não apareça como um meio do desenvolvimento humano sustentável, entre outros, mas como um dos elementos constitutivos e uma das finalidades essenciais desse desenvolvimento. (...)
Desde o início dos seus trabalhos que os membros da Comissão compreenderam que seria indispensável, para enfrentar os desafios do século XXI, assinalar novos objetivos à educação e, portanto, mudar a idéia que se tem da sua utilidade. Uma nova concepção ampliada da educação devia fazer com que todos pudessem descobrir, re-animar e fortalecer o seu potencial criativo – revelar o tesouro escondido em cada um de nós.
Isto supõe que se ultrapasse a visão puramente instrumental da educação, considerada como a via obrigatória para obter certos resultados, e se passe a considerá-la em toda a sua plenitude: realização da pessoa, que, na sua totalidade, aprende a ser. (...)
A educação tem, pois, uma especial responsabilidade na edificação de um mundo mais solidário... É, de algum modo, um novo humanismo que a educação deve ajudar a nascer, com um componente ético essencial (...) A educação tem por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e, por outro, levar as pessoas a tomarem consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta (...)
Passando à descoberta do outro, necessariamente, pela descoberta de si mesmo, e por dar à criança e ao adolescente uma visão ajustada do mundo, a educação deve ajudá-los a descobrir-se a si mesmos. Só então poderão, verdadeiramente, por-se no lugar dos outros e compreender as suas reações (... )
Este desenvolvimento do ser humano, que se desenrola desde o nascimento até a morte, é um processo dialético que começa pelo conhecimento de si mesmo para se abrir, em seguida, à relação com o outro. Neste sentido, a educação é antes de mais nada uma viagem interior, cujas etapas correspondem às da maturação contínua da personalidade (...)
Tudo nos leva, pois, a dar novo valor à dimensão ética e cultural da educação e, deste modo, a dar efetivamente a cada um os meios de compreender o outro, na sua especificidade, e de compreender o mundo na sua marcha caótica para uma certa unidade. Mas antes, é preciso começar por se conhecer a si próprio, numa espécie de viagem interior guiada pelo autoconhecimento (...) Passando à descoberta do outro, necessariamente, pela descoberta de si mesmo, e por dar à criança e ao adolescente uma visão ajustada do mundo, a educação seja ela dada pela família, pela comunidade ou pela escola, deve, antes de mais nada , ajudá-los a descobrir-se a si mesmos. (...)
A educação ao longo de toda a vida é uma construção contínua da pessoa humana, do seu saber e das suas aptidões, mas também da sua capacidade de discernir e agir. Deve levá-la a tomar consciência de si própria e do meio que a envolve e a desempenhar o papel social que lhe cabe no mundo do trabalho e na comunidade (...)
Nesta perspectiva, tudo fica devidamente ordenado, tanto as exigências científicas e técnicas, como o conhecimento de si mesmo.(...) Esta mensagem deve orientar qualquer reflexão sobre a educação para o século XXI, em conexão com o desenvolvimento humano sustentável e com o aprofundamento da cooperação internacional, no âmbito da qual se alcançarão as soluções aqui propostas.(...) A Comissão está, de fato, persuadida de que neste campo, como em muitos outros, escolher um determinado tipo de educação equivale a optar por um determinado tipo de sociedade. (Texto retirado do livro Educação – um tesouro a descobrir: relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre a educação para o século XXI, organizado por Jacques Delors em 1993 e publicado em 1996)
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2º MOVIMENTO
“Se as Universidades pretendem ser agentes válidos do desenvolvimento sustentável, têm primeiramente que reconhecer a emergência de um novo tipo de conhecimento - o conhecimento transdisciplinar - complementar ao conhecimento disciplinar tradicional. (...) Como o prefixo "trans" indica, a transdisciplinaridade diz respeito ao que está, ao mesmo tempo, entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de todas as disciplinas. Seu objetivo é a compreensão do mundo presente, e um dos imperativos para isso é a unidade do conhecimento. (...) A transdisciplinaridade é radicalmente distinta da multidisciplinaridade e da interdisciplinaridade porque sua meta, a compreensão do mundo presente, não pode ser alcançada dentro do quadro de referência da pesquisa disciplinar. (...) A transdisciplinaridade é globalmente aberta. (...) A transdisciplinaridade está ligada tanto a uma nova visão como a uma experiência vivida. É um caminho de auto-transformação orientado para o conhecimento de si mesmo, para a unidade do conhecimento e para a criação de uma nova arte de viver. (...)
Atualmente, a educação privilegia o intelecto, enquanto relativiza a sensibilidade e o corpo. Isso foi necessário na era passada, a fim de permitir-se a explosão do conhecimento. Mas se esse privilégio continuar, seremos empurrados na lógica louca da eficiência pela eficiência, que só poderá terminar em nossa autodestruição. (...) O surgimento de uma cultura transdisciplinar, capaz de contribuir para a eliminação das tensões que ameaçam a vida em nosso planeta será impossível sem um novo tipo de educação, que leve em conta todas as dimensões do ser humano (...)
O recente relatório da UNESCO da Commission internationale sur l'education pour le vingt et unième siècle (Comissão internacional sobre a educação para o vigésimo primeiro século), presidida por Jacques Delors, enfatizou fortemente os quatro pilares de um novo tipo de educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver em conjunto e aprender a ser. Nesse contexto, a abordagem transdisciplinar pode ser uma importante contribuição para o advento deste novo tipo de educação. (...) Há uma inter-relação extremamente óbvia entre os quatro pilares do novo sistema de educação: Como aprender a fazer enquanto aprendendo a conhecer? Como aprender a ser enquanto aprendendo a viver em conjunto?
Na visão transdisciplinar, há uma transrelação que conecta os quatro pilares do novo sistema de educação e tem sua fonte na nossa própria constituição, enquanto seres humanos. Uma educação viável só pode ser uma educação integral do ser humano . Uma educação que é dirigida para a totalidade aberta do ser humano e não apenas para um de seus componentes.
Apesar de as condições das Universidades variarem muito de um país a outro, a desorientação da Universidade tornou-se mundial. Vários sintomas acabam por ocultar a causa geral dessa desorientação: a perda do sentido e a fome universal pelo sentido. A educação transdisciplinar pode abrir caminho em direção a uma educação integral do ser humano que necessariamente transmita a busca do sentido. (...)
O compartilhar universal do conhecimento não poderá ocorrer sem o surgimento de uma nova tolerância fundada na atitude transdisciplinar, a qual implica colocar em prática a visão transcultural, transreligiosa, transpolítica e transnacional; visto a relação direta e indiscutível entre paz e transdisciplinaridade. (...)
Recentemente, o CIRET- Centre International de Recherches et d'Etudes Transdisciplinaires - elaborou, em colaboração com a UNESCO, o projeto A Evolução Transdisciplinar na Universidade. (...) Apresentarei aqui o resumo de algumas das propostas contidas neste Projeto CIRET-UNESCO:
1. Criação de Institutos de Pesquisa do Sentido – o problema-chave mais complexo da evolução transdisciplinar na Universidade é a formação de professores. As universidades poderiam contribuir efetivamente na criação e na operação de bona fide "Institutos de Pesquisa do Sentido", que, por sua vez, teriam efeitos inevitavelmente benéficos na sobrevivência, na vida e na influência positiva das universidades.
2. Tempo para Transdisciplinaridade – é recomendado às autoridades universitárias (reitores, diretores de faculdades, chefes de departamento etc.) devotarem 10% do tempo de ensino de cada disciplina à transdisciplinaridade. (...)
3. Criação de ateliês de pesquisa transdisciplinar - As Universidades devem criar ateliês de pesquisa transdisciplinar (livres de qualquer controle ideológico, político ou religioso) que congreguem pesquisadores de todas as disciplinas. (...)
4. Criação de centros de orientação transdisciplinar- Centros de orientação transdisciplinar serão destinados a fomentar vocações e a permitir a descoberta das possibilidades escondidas em cada pessoa; atualmente, a igualdade das oportunidades do aluno choca-se fortemente com as desigualdades de suas possibilidades. (...)
5. Transdisciplinaridade e o espaço cibernético: ateliês piloto de criação de uma cadeira itinerante da UNESCO e de Teses Transdisciplinares de Doutoramento - Recomenda-se que a UNESCO crie uma cadeira itinerante, que organizará conferências que envolvam a comunidade inteira, habilitando-a a se informar sobre as idéias e os métodos transdisciplinares. (...)
6. Fóruns transdisciplinares - recomenda-se que a UNESCO crie uma cadeira itinerante, que organizará conferências que envolvam a comunidade inteira, habilitando-a a se informar sobre as idéias e os métodos transdisciplinares. Essa cadeira pode ser apoiada pela criação de um site na Internet que prepararia a comunidade internacional e universitária para a descoberta prática e teórica da transdisciplinaridade. A meta é colocar tudo em seu lugar a fim de que a semente do pensamento complexo e da transdisciplinaridade possa penetrar as estruturas e os programas das universidades do amanhã. Devem ser permitidas as teses de doutoramento em assuntos com uma clara orientação transdisciplinar. Esses doutorados transdisciplinares poderiam ter a chancela da respectiva Universidade e da UNESCO.
7. Inovação Pedagógica e Transdisciplinaridade - é essencial acompanhar o resultado das experiências, dando testemunho das inovações estritamente pedagógicas ligadas à abordagem do ensino transdisciplinar. As Universidades devem encorajar e estimular publicações que registram e analisam os maiores exemplos da experiência inovadora.
8. Ateliês Regionais e Fóruns Transculturais na Internet
Será necessário que as universidades organizem ateliês regionais de pesquisa transdisciplinar que incluam a aplicação da visão transcultural, transreligiosa, transpolítica e transnacional. (...)A abordagem transdisciplinar é também uma ciência e uma arte de dialogar.” (...)
Mesmo que a educação transdisciplinar seja um processo global de longo prazo, é importante descobrir e criar lugares que ajudem a iniciar esse processo que assegure seu desenvolvimento na participação da construção do desenvolvimento humano sustentável (DHS). (...) Com efeito, a educação transdisciplinar, por sua própria natureza, deve ser exercida não apenas nas instituições de ensino, do maternal à Universidade, mas também ao longo de toda a vida e em todos os lugares da vida.” Basarab Nicolescu
(Texto retirado do conteúdo da conferência “A Evolução Transdisciplinar da Universidade - Condição para o Desenvolvimento Sustentável”, que foi apresentada no Congresso Internacional “A Responsabilidade da Universidade para com a sociedade”, realizado na Tailand no período de 12 a 14 de novembro de 1997)
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3º MOVIMENTO
“A prática da educação transdisciplinar é fundamental para o processo do desenvolvimento do ser humano (DSH) e para o desenvolvimento humano sustentável (DHS). (...)Uma das funções da educação transdisciplinar é unir a consciência amorosa do valor e do significado da existência humana ao sentido do desenvolvimento humano sustentável.(...) Alguns dos fundamentos pedagógicos desta educação estão alicerçados nos princípios filosóficos da autoconsciência e no princípio Crístico da Nova Lei do Amor e do Novo Nascimento (ou Nascimento do Espírito). (...)
A transdisciplinaridade do projeto pedagógico da educação transdisciplinar reconhece e ressalta a necessidade do cuidado com a dimensão interior psicológica da existência de todo ser humano. (...) Um dos eixos pedagógicos da prática desta educação é a vivência da arte de aprender (ou arte de autoconhecer-se), que não está dissociada do acontecimento da arte de viver. Este eixo é operacionalizado por uma ação educativa subsidiada pela pedagogia do autoconhecimento e pelo exercício da comunicação dialógica.(...).
Um dos objetivos da educação transdisciplinar é ajudar o ser humano, através da vivência da comunicação dialógica e da arte de aprender, a conhecer a si mesmo. Ou seja, um dos objetivos desta educação é ajudar o ser humano, nos seus encontros sócio-relacionais inter e intrasubjetivos, a conhecer e compreender: 1º. o processo de constituição e de funcionamento da sua corporeidade; 2º. a maneira como as diferentes dimensões da sua psique são ativadas na sua personalidade ou seu eu psicológico( conhecer e compreender o processo psicológico das suas emoções, pensamentos-sentimentos, afetos, desejos, feridas psicológicas do passado, apegos, medos psicológicos, memória psicológica, projeções, ilusões do vir-a-ser, devaneios, etc); 3º. a forma como os diferentes mecanismos de funcionamento do seu cérebro atuam em sua existência; 4º. a potência criadora da sua vontade de viver; 5º. os sentidos da busca do significado da sua existência; 6º. a dialogicidade entre a sua respiração e o pulsar da respiração da Vida Criadora; 7º. a sensibilidade perceptiva inerente à ativação da sua mente nova criadora.
Outro objetivo da educação transdisciplinar é ajudar o ser humano a construir-conquistar a vivência de uma genuína liberdade de sersendo, para que possa tomar consciência e apropriar-se do seu direito de viver uma existência à vista, totalmente integrada ao acontecimento do instante-presente da vida vivente, em comunhão espiritual com o reino de Deus, consciente da Presença do Pulsar da Energia Amorosa Criadora manifesta nos diferentes níveis de realidade do acontecimento do seu existir diário.
Tais objetivos evidenciam que uma das finalidades primordiais da educação transdisciplinar, alicerçada na vivência da arte de aprender ou da arte de autoconhecer-se, está direcionada para o cuidado com a existência do serhumanohumanidade. Como já foi mencionado anteriormente, a prática desta educação é subsidiada pela pedagogia do autoconhecimento. (...)
Denomino de pedagogia do autoconhecimento a pedagogia que tem como objetivo principal subsidiar e orientar o desenvolvimento da educação transdisciplinar, fundamentada e direcionada para a vivência da arte de aprender ou do autoconhecimento do ser humano. Em analogia à imagem holográfica de um rizoma, considero que nesta pedagogia estão, simultaneamente, inseridas-ativadas-plasmadas-interconectadas as seguintes pedagogias: pedagogia do diálogo, pedagogia da presença, pedagogia do olhar, pedagogia da emoção, pedagogia da alteridade, pedagogia da diferença, pedagogia da incerteza, pedagogia da sensibilidade, pedagogia da contemplação, pedagogia do mestre-aprendiz, pedagogia bioenergética, arte-pedagogia, pedagogia dos sonhos, logopedagogia (pedagogia do significado de vida), óciopedagogia, pedagogia da individuação, pedagogia da atenção, pedagogia da alegria, pedagogia da transcendência, pedagogia dos diferentes níveis de realidade, ecopedagogia, ludopedagogia, pedagogia da relação, pedagogia da liberdade, pedagogia da afetividade, pedagogia do cuidado, pedagogia do silêncio, pedagogia da morte e do morrer, pedagogia do sagrado, pedagogia da esperança, pedagogia transpessoal, pedagogia da bondade e pedagogia do espírito. (...)
Para a pedagogia da educação transdisciplinar ou pedagogia do autoconhecimento, viver é aprender e aprender é viver: arte de viver a arte de aprender: vivência do autoconhecimento vivo da vidavivente no aqui-agora do existir: serpresença em estado de abertura de autoconsciência na relação com os diferentes níveis de realidade da arte de viver: autoconhecimento na vivência amorosa do existir cotidiano em estado de presença: autoconsciência de si e consciência do outro nos encontros inter/ intrasubjetivos e nas relações dialógicas. (...)
Na prática da educação transdisicplinar a aprendizagem da arte de autoconhecer-se, da comunicação dialógica, da arte de relacionar-se e a da vivência do cuidado com a dimensão psicológico existencial do ser humano acontece, simultaneamente, com as atividades curriculares do processo de aquisição de qualquer tipo de conhecimento ou informação do conteúdo da grade curricular das disciplinas, que se intercomunicam através de interconexões dialógicas interdisciplinares.(...) Esta educação considera que o acontecimento da aprendizagem vivenciada nas escolas e universidades precisa estar intimamente relacionada à realidade existencial da vida vivente do estudante e direcionada para o processo do seu autoconhecimento/autodesenvolvimento e para a descoberta e construção dos sentidos do seu significado de viver. (...)
Uma das funções essenciais da educação transdisciplinar no século XXI é alicerçar e assessorar o processo do desenvolvimento do ser humano, para que a pessoa humana possa dar-se conta de que aquilo que faz com a sua própria existência interfere no destino comum da vida de toda humanidade. Ou seja, para que o ser humano ou a pessoa humana possa tomar consciência de que é responsável não somente pelo rumo que dá a sua própria existência, como também é responsável pelo rumo do destino da existência do serhumanohumanidade.
Nessa perspectiva, o significado da vivência do autoconhecimento está intimamente vinculado à consciência de uma responsabilidade social participativa, alicerçada na realização de uma responsabilidade pessoal autoconsciente, a serviço do desenvolvimento do ser humano (DSH) e do desenvolvimento humano sustentável (DHS), também compreendido como cuidado com a existência do serhumanohumanidade e com a existência das várias formas de vida do ecossistema planetário.
Uma das finalidades da educação transdisciplinar é, portanto, sensibilizar e conscientizar o estudante (educador e educando) da sua capacidade e do seu direito de assumir - através da apropriação da sua vocação autoconsciente de existir - a responsabilidade pessoal-social pela construção de uma nova sociedade mais solidária, consciente do comum pertencimento de cada existência individual no corpo da existência do serhumanohumanidade. ” Noemi Salgado Soares (Texto retirado do livro Educação transdisciplinar e a arte de aprender: pedagogia do autoconhecimento para o desenvolvimento humano, 2ª ed., 2007)
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