Justificativa

A operacionalização de uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) 2011-2020 de elevar a qualidade do ensino superior através implementação da melhoria da prática docente de ensino e da reforma dos currículos dos cursos de Licenciatura exige a aplicação de algumas das orientações educacionais da UNESCO, inseridas no “Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre a educação para o séc. XXI” (1996) e no Projeto CIRET-UNESCO Evolução Transdisciplinar da Universidade” (1997). A partir do referencial destes dois documentos, a UNESCO evidenciou que a abordagem educacional transdisciplinar é indispensável ao desenvolvimento dos seguintes pilares da educação do séc. XXI: aprender a conhecer, aprender a viver juntos, aprender a fazer e aprender a ser.

Porque reconhecem a transrelação transdisciplinar que conecta as referidas aprendizagens, os autores do mencionado Projeto CIRET-UNESCOdestacam que as Universidades só poderão ser agentes válidos de operacionalização dos  pilares da educação do sec. XXI se reconhecerem a emergência do conhecimento transdisciplinar, complementar ao conhecimento disciplinar. Entre tantas orientações apresentadas no citado projeto, a UNESCO e o Centro Internacional de Pesquisa e Estudos Transdisciplinares (CIRET) propõem às Universidades desenvolverem a formação pedagógica transdisciplinar do professor e a criarem inovações educacionais transdisciplinares ligadas ao ensino transdisciplinar na educação superior e na educação básica

         A realização do curso de Pós-Graduação lato sensu EDUCAÇÃO TRANSDISCIPLINAR E A ARTE DE APRENDER PARA O DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO justifica-se porque os seus objetivos visam subsidiar o processo de formação pedagógica transdisciplinar e de transformação da prática docente de ensino-aprendizagem de professores de todas as áreas do conhecimento,  tanto da educação básica quanto do ensino superior. Sua abordagem também está fundamentada pela concepção de desenvolvimento humano sustentável (DHS) do  Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD), que, em 1990, utilizou esta expressão como forma de contrapor o conceito do desenvolvimento humano alicerçado na ideologia do capitalismo selvagem, que era entendido  como sinônimo de crescimento ou desenvolvimento econômico.  Este desenvolvimento desumano capitalista, que era baseado em uma visão reducionista da busca ilimitada de lucro econômico, excluía dos seus interesses o cuidado com a qualidade de vida do ser humano e  o cuidado ecológico com as várias formas de vida do ecossistema planetário.

Com a utilização da expressão desenvolvimento humano sustentável (DHS) o PNUD evidenciou que a performance econômica dos países e o PIB per capita não são os indicadores deste desenvolvimento.  Ao declarar que o desenvolvimento humano sustentável é das pessoas, para as pessoas e se dá pelas pessoas, o PNUD não apenas  ressaltou que o objetivo central do DHS é melhorar a vida humana, como também evidenciou que este desenvolvimento refere-se à adoção de políticas públicas que consideram o cuidado com a existência das pessoas e com a existência das diferentes formas de vida do ecosistema planetário – e não o acúmulo de riquezas – como o princípio e o propósito do DHS. 

Essa visão evidencia que o início e  o fim último do DHS é o  cuidado com a vida do ser humano em relação ecológica de cuidado com as diferentes formas de vida existentes no planeta. Tal  compreensão fundamenta-se  na perspectiva holístico-sistêmico-transdisciplinar das dimensões ética, ecológica, ecopsicológica, ecocomunicacional (diálogo e comunicação dialógica), eco-econômica, transcultural-humanista-espiritual  do significado do DH a serviço do cuidado com a existência do ser humano e com a existência das várias formas de vida do planeta Terra.

Foi com essa compreensão de DHS que o PNUD, juntamente com outras entidades,  passou a cuidar da promoção dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) propostos pela  “Declaração  do Milênio da Organização das Nações Unidas (1. erradicar a fome e a miséria do mundo; 2. educação básica de qualidade para todos (o que implica em acabar com o analfabetismo); 3. igualdade de gêneros e a valorização da mulher; 4. reduzir a mortalidade infantil; 5. melhorar a condição de saúde das gestantes; 6. combate a AIDS, a malária e outras doenças endêmicas; 7. qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; 8. todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento). O conteúdo desta Declaração, que foi  publicada em 2000, reflete as preocupações de 147 chefes de estado  e de Governo e de 191 países (entre eles o Brasil) em relação ao cuidado com as necessidades mínimas e reais dos seres humanos de todo o mundo.

Ao tratarem  da questão do desenvolvimento do ser humano (DSH), os autores do  referido “Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre a educação para o  século XXI”  destacam que uma das funções da educação para este século é capacitar a humanidade para ter condições de dominar o seu próprio desenvolvimento humano (DH). A perspectiva de DH que eles defendem também está vinculada à mencionada concepção de DHS do PNUD. O conteúdo deste  Relatório afirma que a vivência do autoconhecimento é um dos aspectos do DSH e do DHS. Os seus autores entendem que um dos objetivos da educação no século XXI é levar o educando e o educador à descoberta, ao reconhecimento e à compreensão do outro, a partir da relação com o processo de autodescobrimento inerente à vivência do autoconhecimento. Fundamentados neste entendimento, ressaltam que a inserção de disciplinas no currículo escolar  orientadas para a vivência do autoconhecimento é um procedimento pedagógico de ensino-aprendizagem indispensável à educação no século XXI a serviço do DSH e do  DHS.  Para tanto, propõem que os órgãos governamentais de educação de todos os países promovam e financiem pesquisas pedagógicas e práticas educacionais que tratem do processo do autoconhecimento do educando e do educador na vivência da aprendizagem escolar da educação básica (Ensino Fundamental e Ensino Médio) e do ensino superior (Graduação e Pós-Graduação).

Vários educadores representativos da atualidade consideram que a ação educativa de Jiddu Krishnamurti representa  uma das principais experiências do séc. XX  relacionada à prática  educacional direcionada para o autoconhecimento. Sabe-se que Krishnamurti  não somente  criou e vivenciou a prática de um projeto educacional voltado para a  vivência da arte de autoconhecer-se  do discente e do docente, como também criou escolas em diferentes países e publicou mais de cem livros que apresentam elementos para a  construção de uma  teoria e de uma práxis pedagógica a serviço do autoconhecimento do ser humano. De acordo com esse educador,  a vivência da arte de aprender é sinônimo da arte de autoconhecer-se. Sem o autoconhecimento é impossível o acontecimento do desenvolvimento do ser humano (DSH), e, conseqüentemente, o desenvolvimento humano sustentável (DHS).

Subsidiada pelo pensamento educacional de Jiddu Krishnamurti, Noemi Salgado Soares evidencia que as referidas concepções de DSH e DHS, exigem a prática de uma  educação transdisciplinar  alicerçada na vivência da arte de aprender, da comunicação dialógica e da pedagogia do autoconhecimento, que seja capaz de  considerar o cuidado ecológico com a dimensão psicológica do ser humano e o cuidado ecológico com ecossistema planetário como a finalidade primordial do DH. Nas diferentes partes do  seu livro Educação transdisciplinar e a arte de aprender: pedagogia do autoconhecimento para o desenvolvimento humano, Noemi Salgado ressalta  que a vivência do autoconhecimento,  enquanto um aspecto do processo do DH, poderá ajudar o ser humano a ativar não somente a consciência da sua responsabilidade individual de cuidar da saúde e do equilíbrio psico-ecológico da sua própria existência, como também ativar a consciência da sua responsabilidade social de contribuir com a construção do equilíbrio ecológico social humano e com o equilíbrio ecológico do meio ambiente

A Fundação União Planetária (FUP), o CIRET, o PNUD, a UNESCO, o CETRANS e o CETRAEFE consideram que a importância e a emergência da realização da Pós-Graduação EDUCAÇÃO TRANSDISCIPLINAR E A ARTE DE APRENDER PARA O DH  justifica-se porque:

1º. uma das suas finalidades é subsidiar a formação pedagógica de educadores interessados no conhecimento e na realização de uma ação educacional transdisciplinar, que lhes capacite vivenciarem a prática educativa proposta pela UNESCO,  que esteja direcionada à vivência da arte de aprender (ou da arte de autoconhecer-se) e ao processo do DH, através da  aprendizagem do aprender a aprender, aprender a conhecer e a se autoconhecer, aprender  a viver junto, aprender a fazer e aprender a  ser;

2º. a sua abordagem pedagógica é expressão concreta da prática  de uma formação  educacional transdisciplinar, que atende às sugestões inseridas no projeto CIRET/UNESCO Evolução transdisciplinar da Universidade.  De acordo com os autores deste projeto, a formação pedagógica transdisciplinar de professores de todas as áreas do conhecimento e o surgimento de inovações pedagógicas a serviço de uma ação educacional transdisciplinar na Educação Básica e no Ensino Superior são exigências indispensáveis  à  realização da  educação do séc. XXI proposta pela UNESCO;

3º. o conteúdo  das suas (trans)disciplinas oferece subsídios epistemológicos e pedagógicos ao processo de realização das orientações educativas das Diretrizes Gerais do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI,  instituído pelo Governo Federal (Decreto nº. 6.096 de 27/04/2007) para o ensino superior brasileiro. Os fundamentos filosóficos e educacionais das Diretrizes Gerais do REUNI consideram que a  multi, a inter e a transdisciplinaridade são princípios pedagógicos  norteadores da atual reestruturação curricular dos cursos do ensino superior brasileiro. Estes princípios exigem o redesenho da grade curricular  do ensino universitário e uma radical renovação pedagógica da prática educativa dos docentes de Graduação e de Pós-Graduação das Universidades e Faculdades Brasileiras;

4º. alguns dos seus objetivos  visam subsidiar o desenvolvimento pedagógico transdisciplinar de algumas das propostas do Novo Plano Nacional de Educação (PNE) para o período de 2011 a 2020, as quais também propõem a reforma curricular dos cursos de Licenciaturas e o aperfeiçoamento pedagógico da prática de ensino dos seus docentes;

. um dos seus objetivos é  oferecer subsídios educacionais à  prática da pedagogia empresarial transdisciplinar  no desenvolvimento da gestão organizacional transdisciplinar na administração das  empresas públicas e privadas;

6º. o conteúdo de todas as suas (trans)disciplinas evidencia que a ação pedagógica transdisciplinar é um subsídio educacional indispensável ao processo de realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM);

7º. o  desenvolvimento da  sua abordagem educacional transdisciplinar visa  consolidar a compreensão de que a relação do processo de aprendizagem implica o acontecimento amoroso do encontro humano dialógico, que também se realiza na vivência afetiva da arte de aprender (ou da arte de autoconhecer-se) e da arte de fazer-aprender a ver, a ouvir, a conviver,  a falar, a sentir, a pensar, a respeitar, a dialogar, a relacionar, a ler, a escrever, a conhecer, a agir, a sonhar, a silenciar, a amar, a viver, a morrer e a ser;

8º. a sua proposta pedagógica, os seus objetivos e o conteúdo dos módulos das suas transdisciplinas fazem parte de uma das etapas da construção de um revolucionário projeto político educacional, intitulado EDUCAÇÃO TRANSDISCIPLINAR E A ARTE DE APRENDER PARA O DESENVOLVIMENTO DO SERHUMANOHUMANIDADE E PARA  O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.